Baile Negro

31 de outubro. Dia das bruxas. 23h 30.

Paula chega ao local marcado. Centro de São Paulo, Sala São Paulo, sede de uma das maiores orquestras do país, a Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo). Foi convidada para o concerto especial da noite de Halloween. Não sabe exatamente quem a convidou, porém, como já trabalhou lá por mais de um ano, simplesmente colocou o belo vestido negro que recebeu e seguiu as instruções do bilhete que lhe foi enviado junto com o convite.

Tudo estava impecável! No boulevard de entrada, tules negros, laranjas e roxos, pouquíssima luz – apenas o suficiente para se locomover e ver o vulto das pessoas – e muito mistério…

Também não sabia o que iria acontecer, mas a curiosidade foi maior e resolveu ir à festa, até porque encantou-se pelo vestido no momento em que o viu. Ele parecia muito antigo, com uma saia longa formada por diversas camadas, tornando-a cheia e leve ao mesmo tempo, e um espartilho com fitas pretas de cetim maravilhoso. A impressão era a de que havia custado uma fortuna. E a máscara então? Digna de filme e feita sob medida.

Afinal de contas, como é que sabiam todos os tamanhos exatos de seu corpo?

E não enviaram só o vestido, não! Havia a roupa de baixo com cinta liga e tudo. O sapato de salto alto chegava a ser um insulto de tão grande, porém, por incrível que poderia ser, era bastante confortável. O sonho de consumo de qualquer mulher (que goste de usar esse tipo de coisa, é claro)!

Entre as instruções do bilhete, estavam os “como deve ser” da maquiagem e do penteado. Os olhos estavam bem pretos e definidos, brilhantes e sombrios. A boca, num vermelho escuro e forte. Os cachos partiam do alto da cabeça e cobriam o pescoço. Os ombros e a fronte nus, mas nada vulgar. Para Paual estava tudo mais do que lindo! “Ainda bem que o tempo está agradável. Nem muito quente, nem muito frio! E que roupa é essa! Adoooooro!”

Ao entregar o convite aos seguranças – todos de ternos antigos e negros –, viu que outras pessoas vestiam-se de forma semelhante. No hall, várias velas acesas e um burburinho ininteligível. Enfim, uma voz desconhecida estranhamente pediu para que as moças loiras se dirigissem à direita e as morenas, à esquerda.

Paula achou a indicação esquisita, mas como fora sozinha e ainda não havia encontrado nenhum conhecido, resolveu fazer o que pediam. Subiu as escadas em direção ao mezanino. Algumas moças já tinham passado, porém, quando chegou a sua vez, não havia acompanhante nenhuma. Enquanto isso, pensava: “E os homens dessa festa, onde foram parar?!”

As portas se abriram sozinhas e os corredores, por onde havia caminhado num passado não muito distante (como disse, ela já tinha trabalhado lá), estavam diferentes. Nada podia ser distinguido com clareza. A escuridão não permitia. Só pequeninas luzes fracas a guiavam. Logo virou à esquerda, foi em frente, virou à direita e começou a subir uma escada circular. Não se lembrava de haver lá uma torre. “Será que sou tão desligada a ponto de não ter notado algo tão significante quanto uma torre desse tamanho no meio de São Paulo?!”

Sim, ela ainda subia e não conseguia ver nada pelos vidros das janelas enormes pelas quais passava. Até que as coisas começaram a lhe parecer familiares, mas nunca tinha estado lá, até porque conhecia aqueles degraus e aquelas vidraças dos livros de J. K. Rowling e seu bruxo Harry Potter. “Como assim? Deve ter algo errado aqui!” (Imagina! Algo errado?! Só porque VOCÊ está num livro? Normal!)

Então chegou ao salão principal da Grifinória (uma das casas quatro casa da Escola de Magia de Hogwarts). Abriu mais a porta, por cuja fresta passava a luz fraca da lareira, e entrou. Seu coração não parecia mais estar só em seu lugar, mas sim em seu peito inteiro, quase subindo e saindo pela boca. Sentia seu rosto quente e as bochechas vermelhas. Em suas mãos, uma pequena bolsa com documentos, dinheiro e celular, do qual nem se lembrou de usar para ligar para os ex-colegas de trabalho e perguntar o que estava acontecendo. “Será que aprontaram alguma pra mim? Que amigos sapecas! Mas ninguém ia fazer essa mega produção de Hollywood para me pregar uma peça e só!”

Antes de conseguir analisar o novo ambiente, sentiu a presença de alguém. Paula, que não costuma se assustar com esse tipo de coisa, sentiu aquele clássico friozinho na barriga. Queria rir e perguntar quem estava lá, porém só conseguiu pensar “cadê a minha varinha nos momentos em que mais preciso dela” e, logo em seguida, se puniu por ser tão besta e conseguir imaginar coisas como essas numa situação tão estranha.

Seus olhos se arregalaram tentando enxergar melhor. O coração já estava na garganta, quando ouviu novamente alguém se mexer. “Não é possível!” Ela mau conseguia ver os móveis e os detalhes da sala, mas sabia que ela era redonda, com várias janelas enormes, alguns sofás grandes, tapetes, cortinas vermelhas e pesadas.

Ao se aproximar do centro, sentiu a presença novamente. Tinha certeza de que havia alguém exatamente atrás dela, porém nem cogitou a possibilidade de se virar. Preferia curtir por um tempo sua respiração rápida e ofegante até algo acontecer, não importava o quê. Esse era um reflexo que tinha quando passava por momentos tensos. Já sabia muito bem disso e nunca conseguira mudar. Não era naquele instante que aconteceria um milagre, não é?!

“Oi, moça!”, disse a “presença”. “Ok, é um homem! Ok, pelo tom de voz, também está perdido! Ok, cheguei ao fantástico mundo de Lost! Ok, quero a minha mãe!” Paula pensou em tudo isso e em mais um pouco num milésimo de segundo e se lembrou de que respirar às vezes era bom. Os olhos se fecharam automaticamente, as pernas amoleceram, mas ela se manteve em pé, imóvel, por puro instinto.

Sentia que estava pronta para correr mais do que a presa do bicho mais veloz do mundo – do qual não se recordava o nome naquele momento, também pudera –, quando a “presença” colocou a mão em seu ombro. Então já estava na sua frente e disse: “Moça?!”

Paula abriu os olhos e viu um homem alto, forte, também de roupas pretas – inclusive uma capa enorme – e com o rosto verde, cara-a-cara com ela.

Gritar? Impossível!

Correr? Esquece!

Desmaiar? Melhor não, tá “tão” divertido!

Então o mínimo de razão resolveu aparecer e ela reconheceu a voz e depois, por trás de tanta tinta verde, os traços nipônicos.

– Rodolfo?

– Paula?

– Ai, não acredito!

E os dois respiraram aliviados. Paula respirava após alguns minutos sem oxigênio, pelo menos, era essa a impressão.

– Cara, que loucura é essa? – disse Paula.

– Meu, sei lá! E olha que eu trabalho aqui!

– Caramba! E o restante do pessoal? Está por aqui?

– Não sei! Eu só vim porque achei legal a proposta do concerto. As meninas disseram que viriam também. Pelo menos foi o que me disseram.

– Nossa, que alívio! E que loucura! De quem foi essa ideia maluca? Como o pessoal montou essa estrutura toda?

– Não sei! E para de fazer pergunta difícil! Só sei que de manhã não tinha nada disso aqui, muito menos essa torre gigante.

Papo vai, papo vem e eles ouvem a porta se abrindo. Os dois se calam automaticamente. Ainda tranqüilos, resolvem perguntar:

– Quem taí?

Na verdade, só o Rodolfo falou, Paula já estava receosa e semiparalisada novamente.

A resposta não veio, nada viram e ainda sentiam a presença de alguém.

– Quem taí? – repetiu Rodolfo.

Nada.

Os dois se olharam, ficaram juntos, um de costas para o outro. A brincadeira já não tinha mais graça. Ninguém estava rindo.

E sim, havia alguém lá! Mas onde?

– Ok. Já deu! Quem taí?

Nada.

Então um vulto preto e rápido apareceu e caiu sobre os dois.

Tudo escureceu. Não havia luz. Não havia sensações. Não havia nada.

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E eu acordei maravilhada com o sonho!

Gente, o vestido era perfeito! A maquiagem do Rodolfo, sensacional! Estar em Hogwarts/Sala São Paulo foi um prazer! Então por que não escrever o sonho de uma forma mais floreada e dividir com os meus queridos leitores do meu bloguinho?

Foi mais ou menos isso o que aconteceu, mas não havia tantos detalhes e o final não era esse. O Rodolfo me dava um susto e, em seguida, um reconhecia o outro e ficávamos conversando. Mudei para ficar mais legal!

Bom, tudo isso foi uma brincadeira com as imagens que Morfeu me deu numa noite dessas!

Espero que tenham gostado e torçam para que eu sonhe com mais coisas malucas.

Sim, eu amo Harry Potter e estou ansiosa para ver o novo filme e triste porque “tudo vai acabar”. Exageraaaaada!

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Obrigada pela paciência, pois o texto não é curto!

E deixe seus comentários para que eu melhore nos próximos contos.

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3 comentários sobre “Baile Negro

  1. Praticamente acabamos de chegar, mas deixo meu carinho e um beijo cheio de saudade.

    Beijo imenso, menina linda.

    P.s.: Coração preenchido e apaixonado.. que linda!

    Rebeca

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