24 horas online

Sou da geração Y, mas não nasci plugada. Gastava toda a minha energia em brincadeiras pela escola, pela casa dos meus avós e pelo condomínio em que moro até hoje. Corria, pulava, ralava o joelho. Era um moleque e tanto, porém não deixava de lado os estudos e enfiava a cara nos livros para sempre ficar entre aqueles que tiravam as melhores notas. O que meus pais mais ouviam nas reuniões era: “Ela é uma ótima aula, mas fala um pouco demais”. Um pouco era apenas para suavizar. Eu falava para caramba, já dando dicas com relação à área que escolheria para seguir carreira.

Minha bateria era recarregada com leite e achocolatado, bolinho de chuva, pão com margarina e bolacha recheada, além de muitos legumes e verduras. Enquanto descansava, via Glub Glub, Rá-Tim-Bum, Castelo Rá-Tim-Bum, Tin Tin, Doug, Babar e outras coisas fofas.

O contato com a modernidade começou com uns 11 ou 12 anos, quando aprendíamos a mexer no DOS na escola. Era dir, dir, dir, toda aula. Com uns 14, 15 anos, chegou um computador em casa. Esperava dar meia-noite para entrar na internet e só saía às 5 ou 6h da manhã. Era para usar apenas um pulso ou algo do tipo.

Aos poucos os celulares foram chegando em casa. Primeiro meu pai comprou o dele, por ser taxista e facilitar arranjar corridas. Depois eu ganhei um peg e fale gol do Palmeiras porque ia estudar em São Bernardo e ficava lá o dia inteirinho. Em pouco tempo, todos tínhamos um bichinho barulhento e vibrantes nas bolsas.

A moda era ter celular miudinho e fofinho que fizesse ligações e enviasse mensagens, porém era apenas para casos de emergência, pois era tudo caro (não que seja barato agora).

A tecnologia mudava a cada mês e fui ficando para trás. Se eu achava ruim? Nada! Batia no peito e falava que celular para mim era apenas para ligações e mensagens, que não precisava tirar foto, entrar na internet, bluetooth e blá blá blá. Até brincava que se alguém fosse me assaltar, ficaria com dó e me daria um celular. =D

Aos poucos fui nerdando um pouco e aprendendo a curtir tecnologia e a ver super funcionalidades nela. Virei a rainha dos blogs, das novidades e tinha perfil em tudo quanto é site e rede social. Queria saber como fazer algo em algum lugar? Eu sabia!

Enfim, comecei a trabalhar, “afinal de contas, videogames não caem do céu”. E veio notebook escolhido a dedo, celular maravilhoso comprado no susto, internet melhorzinha e mais ligeira. Pronto! Fui picada pelo bichinho da conectividade. Só não fico online o tempo todo porque não tenho plano de internet no celular e a internet “ilimitada” é mais lenta do que trânsito em horário de pico na avenida Paulista.

Mensagem, e-mail, PDF, Word, diário, Facebook, Twitter, câmera, mp3 (com biografia de cantores e bandas), calendário, despertador, calculadora, Xbox Live, Skype, Foursquare, Pinterest, editores de imagens, mapas, rádios internacionais, dicionários etc. Com tudo isso e mais um pouco, meu celular já me salvou de cada uma.

(Nossa! Está parecendo propaganda, né?! Microsoft, tenho Windows Phone e gosto dele, mesmo tendo quase zero aplicativos comparando com Android!)

Agora aquela menina tagarela continua falando pelos cotovelos, mas agora com coleguinhas de classe, amigos nacionais e internacionais, alunos, professores, ídolos, família, namorado e uma infinidade de pessoas que não conheço, que sem querer acham meu blog, meu perfil no Facebook, no Skoob, no Twitter, sei lá!

Sim, tenho poder em minhas mãos. O poder da comunicação, o poder da informação. A sensação de poder encontrar muita coisa de forma fácil me fascina, mas também me perde. O grande desafio atual é conseguir me concentrar e fugir da tentação de ficar caçando atualizações no Face e caixa de e-mails, posts interessantes e livros que desejo, notícias sobre Harry Potter e sagas de Rick Riordan.

A tarefa é árdua, porém sei que encontrarei uma solução!

#adaptaçãomodeon

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Um comentário sobre “24 horas online

  1. Se a gente parar pra dar o devido valor pra toda essa conectividade, dá pra perceber o quanto tudo isso é “Mágico”, mesmo. O quanto pessoas do passado não dariam pra ter tido a oportunidade de utilizar toda essa tecnologia. Hoje é como água ou energia, só sentimos falta quando ficamos sem.

    Só precisamos lembrar que apesar das facilidades, toda essa conectividade pode se tornar um vício e digo isso com conhecimento de causa. Não podemos abrir mão do descobrimento “IRL” (in real life), fora dos devices, inclusive porque é somente com essa vivência prática do mundo que teremos sabedoria pra transmitir as verdades pros nossos filhos e sermos pessoas mais seguras nos nossos círculos, inclusive no trabalho.

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