Gilmore Girls: A ficção e a realidade

Gilmore Girls estreou em 2000. Eu tinha apenas 14 anos, a mesma idade de Rory. (Acho que Gilmore Girls foi meu Harry Potter, pois só comecei a ler HP com 18 anos.)

Infelizmente, não vi todas as temporadas. Acompanhava pela tv aberta e não lembro o que aconteceu, se pararam de passar antes de terminar o seriado ou se eu parei de ver por causa de meus horários nas escolas. Então não fazia ideia de como as coisas tinham ficado.

Quando a Netflix anunciou o retorno da série, várias lembranças chegaram à minha mente e, na primeira oportunidade de tempo livre que tive, comecei a ver tudinho, desde a primeira temporada.

Cheguei a ficar o dia inteiro vendo episódio atrás de episódio, com mini pausas para banheiro apenas. Comer na frente da tv é fácil!

Para a minha surpresa, fui notando a cada episódio que Rory e eu tínhamos mais características em comum do que eu imaginava e me recordava.

Delicioso e cruel

Gilmore Girls é delicioso e cruel ao mesmo tempo. Sim, cruel! Já explico porque acho isso.

Diálogos em ritmo frenético, inteligentes, com várias ótimas referências, sobre diversos temas do dia a dia, da vida, isso é o que mais me impressiona.

De forma delicada, lá estão representadas mulheres em busca de conquistas, de sucesso nas atividades que gostam, de felicidade, de amor, de amizade, de compreensão.

Cada Gilmore girl tem sua personalidade forte, defende seus ideais com unhas e dentes, é firme e também sensível. Discussões, abraços e choros se revezam em cada episódio.

E onde vi crueldade em Gilmore Girls? Na semelhança com a vida real, na maneira com que Lorelai e Rory reagem a diferentes acontecimentos, exatamente como pessoinhas comuns reagiriam (como eu reagiria).

Talvez eu esteja mais sensível. Talvez tenha mais experiências na vida de uma mulher de 30 anos do que na de uma garota de 14 anos. Experiências, uma bagagem adquirida, que tornam o seriado mais especial do que ele já era em minha adolescência.

Talvez minha situação atual tenha potencializado a semelhança com as crises da mãe e da filha mais amigas da história dos seriados.

Uma explicação! Chamei a semelhança de crueldade apenas pelo fato de me fazer chorar horrores com cada olho cheio de lágrima das meninas Gilmore.

Um ano para recordar
Em 2016, quatro novos episódios, cada um com o nome de uma estação do ano, chegaram à Netflix.

Batizada como Um Ano Para Recordar, a nova temporada mostra como estão caminhando as coisas na vida das mulheres Gilmore.

Para a minha surpresa, novamente, Rory está passando pela mesma fase em que me encontro: na casa dos 30 e poucos, sem casa própria, sem carro próprio, pensando na carreira, pensando na vida amorosa, tentando ajeitar o presente para ter um futuro já imaginado anteriormente, ou não. (Eu sou Rory Gilmore!)

Ambas se sentem mastigadas e cuspidas pelo mundo. Hehehehehe… (Termo usado no seriado! Calma lá!)

Rever os personagens, os cenários, presenciar encontros cheios de recordações, tentar acompanhar todos os diálogos rápidos e pegar todas as referências é simplesmente maravilhoso.

Não acredito que eu queira me recordar muito de 2016, pelo menos não da maneira que eu gostaria. Porém acho que Emily, Lorelai e Rory, também terão que peneirar as lembranças de 2016.

Nem crítica, nem desabafo

Quando estava na metade do seriado, a vontade de escrever apareceu. Há meses eu não tinha vontade de escrever. O que me deixa muito triste. (Triste mesmo, pois que jornalista sou eu se não há vontade de escrever, hein?!)

Gilmore Girls e sua capacidade de ser um espelho de minha vida trouxeram de volta o desejo de me arriscar no fantástico mundo das palavras sobre algo de que gosto e a coragem de refletir sobre mim e as coisas que estão acontecendo.

Rory, Lorelai, Emily, muito obrigada por resgatarem em mim coisas que me deixam feliz!

(Seria loucura agradecer personagens fictícios?!)

Para mais Gilmore Girls

Omelete – Gilmore Girls está de volta

Playlist no Spotify

IMDb – Gilmore Girls

IMDb – Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar

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