Novo visual

Sim sim sim…

Após anos com a mesma carinha fofa e coloridinha, chegou a hora de mudar o layout do meu bloguinho para que ele possa ser melhor lido em tablets e smartphones. A modernidade fez a mudança acontecer.

Ainda vou mexer no bloguinho para ele ficar a cada dia mais lindo, mas, enquanto faço meus experimentos, não deixem de ler minhas “aventuras” cotidianas.

Beijão para todos os leitores de minhas palavrinhas! =*

Twitter: evolução ou destruição do Português?

As críticas são pesadas e o que mais ouvimos é que o jovem não sabe falar direito, quanto mais escrever. Nos chats, nos blogs e microblogs a linguagem que encontramos é bem diferente da culta existente em livros e em revistas específicas.

No entanto, não seria cruel demais dizer que as novas gerações estão destruindo o Português? Porque não pensar que é uma reinvenção da língua, que sempre, sempre, sempre, ocorreu, ocorre e ocorrerá.

Não podemos pensar que nunca se conseguiu comunicar-se tão sucintamente?

No texto abaixo, publicado no jornal Valor Econômico no dia 16 de agosto de 2013, uma visão mais simpática com relação ao amor que o brasileiro tem pelo Twitter.

***

A tradição do Twitter no Brasil

Por Miguel Sanches Neto | Para o Valor

Lançado nos Estados Unidos em 15 de julho de 2006, o microblog Twitter talvez seja a melhor tradução da linguagem em tempos de internet, tendo logo se tornado tanto uma ferramenta de comunicação (para fins comerciais ou privados) quanto um espaço de produção literária. Neste segundo campo, ele tem, no entanto, uma tradição centenária. No Brasil, o primeiro tuiteiro literário foi, sem dúvida, Machado de Assis, um escritor marcado por estruturas narrativas fragmentadas, em que a frase avulta com independência.

Seu clássico “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, que circulou como folhetim em 1880, é composto por vários tipos de textos, como algumas máximas que traduzem de forma perfeita o Twitter literário. Escreve o sarcástico narrador no capítulo “Parênteses”: “Antes cair das nuvens que de um terceiro andar”.

A inteligência irônica do narrador se organiza em uma sentença lapidar. Temos aqui uma definição desse gênero, que exige uma construção poética e um olhar crítico. Machado sabia como poucos se valer desses recursos, tanto que esse seu romance se apropria de uma linguagem estilhaçada, com sistemáticas interrupções à narrativa, num ziguezague que lembra o que se tornaria depois o estilo do Twitter. Esse talvez seja o nosso primeiro romance – e o melhor – produzido dentro de uma estética do fragmento.

Depois dele, o grande cultor dessa mesma linguagem será Oswald de Andrade, com seus poemas breves e também sardônicos. “Pau Brasil” (1925) traz um conjunto de tuítes, em que a inteligência crítica-humorística se manifesta em uma linguagem breve. Mesmo o texto de introdução ao livro, um manifesto poético (“Falação”), é obtido com frases soltas e altamente irônicas, numa afirmação do poder expressivo das lascas de linguagem, como esta: “A poesia para os poetas. A alegria da ignorância que descobre. Pedr’Álvares”.

Com Oswald, a redução de texto vai se aliar a uma redução do peso linguístico, numa valorização mais oral da linguagem, rebaixada para se contrapor às belas-letras. É um momento magnífico da descoberta do valor literário dos muitos falares em circulação social, como no divertido “O Gramático”: “Os negros discutiam/ que o cavalo sipantou/ mas o que mais sabia/ disse que era/ sipantarrou”.

Essa poesia em tom de conversa, atenta a todos os códigos, vai entronizar um tipo de texto que se encaixaria perfeitamente na estrutura literária do Twitter. Oswald nos limpou de recalques em relação ao poder poético da fala, permitindo a modernização de nosso idioma.

Ainda no período modernista, uma voga literária nasce dessa compreensão oswaldiana da brevidade irônica. Tal manifestação ficou conhecida como poema-piada. Descendo ao chão da linguagem, o poema se deixa confundir com frases espirituosas. A poesia não quer mais o pedestal do texto, mas a conjugação em conversas comuns.

Carlos Drummond de Andrade não foi indiferente ao que seria o Twitter. Em seu poema modernista “Cota Zero” (“Alguma Poesia”, 1930), ele dá um exemplo de sua verve piadística: “Stop./ A vida parou/ ou foi o automóvel?”

Espalhadas nas obras de grandes poetas do período, temos verdadeiras pílulas de linguagem. Tanto em Manuel Bandeira (“Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?/ – O que eu vejo é o beco”) quanto em Mário Quintana ou Murilo Mendes, haverá um culto à brevidade. Este último escreverá todo um livro de frases, “O Discípulo de Emaús” (1945), em que, apesar de uma seriedade filosófica, se manifestam tuítes primorosos, como este, supersintético: “Prefiro a nuvem ao ônibus”. Ou: “Existem cinco elementos: o ar, a terra, a água, o fogo e a pessoa amada”.

Com certeza, esses escritores teriam uma conta no Twitter e usariam tal espaço de forma autoral.

Mas eles são o que poderíamos chamar de precursores nacionais dessa linguagem. Dois autores são os seus inventores. O poeta multimídia Millôr Fernandes, que, desde o início, confundiu frase e poesia, criando os mais belos conjuntos de tuítes da língua portuguesa. A sua latitude literária é dada pela confluência do haicai e da charge, o que confere a seus textos um humor com refinamento de linguagem. São inumeráveis as suas criações, mas cito aqui um de seus haicais: “Esnobar/ é exigir café fervendo/ e deixar esfriar”.

Dos autores citados, apenas Millôr de fato usou o Twitter no fim da vida, mas ele se valia dessa linguagem desde o início.

Outro contemporâneo seu foi inventor do nanoconto – Dalton Trevisan. Desde “Lincha Tarado” (1980), Trevisan vem publicando uma série de haicais que nada mais são do que pequenos relatos. Entre os seus primeiros textos, que ainda guardavam o tamanho de uma página, e os de agora há um abismo que denuncia o trabalho de enxugamento feito pelo autor. A partir de “Meu Querido Assassino” (1983), os haicais vão se tornando mais sintéticos, atingindo o formato de Twitter em “Pão e Sangue” (1988).

Se o haicai só aparece oficialmente em “Lincha Tarado”, já estava presente em algumas passagens de suas ficções, como no conto “O Bêbado de Nossa Senhora”, de “Abismo de Rosas” (1976). Esse relato é composto por numerosos fragmentos mínimos, alguns deles verdadeiros haicais, como: “A chuva sovina conta e reconta suas moedas nas latas do quintal”.

Dessas primeiras manifestações aos dias de hoje, Trevisan criou toda uma gramática literária do Twitter, legando para a cultura brasileira algumas obras-primas nessa modalidade: “Ah, É?” (1994), “234” (1997) e “Pico na Veia” (2002) – é deste último que tiro um texto abaixo: “Esse aí me adora, sim: daqui pra baixo”.

Temos a fala de uma personagem, provavelmente uma mulher, que define o relacionamento amoroso, no qual ela tem valor apenas como corpo. O alto poder de síntese de Trevisan não prejudica a compreensão do drama, e a ironia faz a narrativa pulsar poeticamente.

Como movimento, e não apenas como manifestação na obra de determinados autores, o Twitter aparece na poesia marginal, na produção poética jovem dos anos 1960 e 1970, quando a busca de uma miniloquência e de uma circulação independente permite uma gramática relaxada, descontraída, em que a frase toma o lugar da poesia, a língua oral o lugar da língua erudita e a vida o lugar dos livros. Como um todo, a poesia marginal pode ser vista como a primeira rede social em poesia, pois os textinhos circulavam de mão em mão, em livros xerocados e pequenos fanzines, ou eram declamados em bares e outros lugares, sem passar pelas editoras e pelos grandes jornais.

Nesse período, a poesia afastou-se do poema para ser, por exemplo, frases pichadas nas paredes durante a ditadura, o que dava ao ato de pichar uma significação de contralinguagem. Paulo Leminski, ícone dessa geração, vai ser autor de algumas dessas frases, como a antológica: “Minha classe gosta, logo é uma bosta”.

Assim, quando o Twitter foi inventado, já tínhamos uma prática centenária de linguagem fragmentada, irônica, inteligente e desabusada, vinculada à oralidade e ao povo. Daí o grande sucesso do microblog entre nós, por permitir que conjugássemos coletivamente toda uma tradição.

—————-
Miguel Sanches Neto é ficcionista, autor, entre outros, dos romances “Chove Sobre Minha Infância”, “Um Amor Anarquista”, “A Primeira Mulher” e “A Máquina de Madeira”. Seu endereço no Twitter é @miguelsanchesnt

***

Link para a matéria reproduzida no Observatório da Imprensa: A Tradição do Twitter no Brasil.

Compartilhar: Essa é a palavra!

Para começar, estava pensando sobre o lema desse bloguinho fofo e percebi que ele está sério demais, afinal de contas, a ideia do surgimento dele foi com base em tirar sarro do cotidiano, vê-lo com mais graça e palhaçada. Então, juro que tentarei levar a vida mais de levis (calça jeans não, Mussum).

Nesse primeiro semestre de mestrado, muito se leu, muito mais se deixou de ler, porém, o segredinho do século é “compartilhar”. Eventos, workshops, conversas virtuais e pessoais (pessoalmente seria a palavra mais correta, não?!) e a palavra “compartilhar” junto, sempre.

Guardar o que se sabe para si mesmo? Não! Aprender algo legal e não contar para ninguém? Não! Descobrir a fórmula do sucesso e deixá-la no cofre? Não! Está tudo ae, escancarado.

Daí você pensa: Mas se eu entregar o esquema, vão me atropelar!

E vão mesmo! Isso é para você se mexer, inovar sempre, pensar, criar, matutar, mexer a busanfa (com S é mais chique) e encontrar algo mais legal e mais sucesso ainda.

“Compartilhar”! Posso compartilhar tudo?

Claro que pode! Mas lembre-se de que onde se fala o que quer, pode-se ouvir o que não quer, certo?!

Internet não é terra ninguém. O que se faz no virtual tem retorno. Deus tá vendo, viu?! (Tipo briga de vó!)

Juízo, criatividade e conectividade podem ser as palavrinhas chave desse post. Ou não!

Vou compartilhar para ver se é isso mesmo!

Vão com deus palavrinhas compartilhadas!

24 horas online

Sou da geração Y, mas não nasci plugada. Gastava toda a minha energia em brincadeiras pela escola, pela casa dos meus avós e pelo condomínio em que moro até hoje. Corria, pulava, ralava o joelho. Era um moleque e tanto, porém não deixava de lado os estudos e enfiava a cara nos livros para sempre ficar entre aqueles que tiravam as melhores notas. O que meus pais mais ouviam nas reuniões era: “Ela é uma ótima aula, mas fala um pouco demais”. Um pouco era apenas para suavizar. Eu falava para caramba, já dando dicas com relação à área que escolheria para seguir carreira.

Minha bateria era recarregada com leite e achocolatado, bolinho de chuva, pão com margarina e bolacha recheada, além de muitos legumes e verduras. Enquanto descansava, via Glub Glub, Rá-Tim-Bum, Castelo Rá-Tim-Bum, Tin Tin, Doug, Babar e outras coisas fofas.

O contato com a modernidade começou com uns 11 ou 12 anos, quando aprendíamos a mexer no DOS na escola. Era dir, dir, dir, toda aula. Com uns 14, 15 anos, chegou um computador em casa. Esperava dar meia-noite para entrar na internet e só saía às 5 ou 6h da manhã. Era para usar apenas um pulso ou algo do tipo.

Aos poucos os celulares foram chegando em casa. Primeiro meu pai comprou o dele, por ser taxista e facilitar arranjar corridas. Depois eu ganhei um peg e fale gol do Palmeiras porque ia estudar em São Bernardo e ficava lá o dia inteirinho. Em pouco tempo, todos tínhamos um bichinho barulhento e vibrantes nas bolsas.

A moda era ter celular miudinho e fofinho que fizesse ligações e enviasse mensagens, porém era apenas para casos de emergência, pois era tudo caro (não que seja barato agora).

A tecnologia mudava a cada mês e fui ficando para trás. Se eu achava ruim? Nada! Batia no peito e falava que celular para mim era apenas para ligações e mensagens, que não precisava tirar foto, entrar na internet, bluetooth e blá blá blá. Até brincava que se alguém fosse me assaltar, ficaria com dó e me daria um celular. =D

Aos poucos fui nerdando um pouco e aprendendo a curtir tecnologia e a ver super funcionalidades nela. Virei a rainha dos blogs, das novidades e tinha perfil em tudo quanto é site e rede social. Queria saber como fazer algo em algum lugar? Eu sabia!

Enfim, comecei a trabalhar, “afinal de contas, videogames não caem do céu”. E veio notebook escolhido a dedo, celular maravilhoso comprado no susto, internet melhorzinha e mais ligeira. Pronto! Fui picada pelo bichinho da conectividade. Só não fico online o tempo todo porque não tenho plano de internet no celular e a internet “ilimitada” é mais lenta do que trânsito em horário de pico na avenida Paulista.

Mensagem, e-mail, PDF, Word, diário, Facebook, Twitter, câmera, mp3 (com biografia de cantores e bandas), calendário, despertador, calculadora, Xbox Live, Skype, Foursquare, Pinterest, editores de imagens, mapas, rádios internacionais, dicionários etc. Com tudo isso e mais um pouco, meu celular já me salvou de cada uma.

(Nossa! Está parecendo propaganda, né?! Microsoft, tenho Windows Phone e gosto dele, mesmo tendo quase zero aplicativos comparando com Android!)

Agora aquela menina tagarela continua falando pelos cotovelos, mas agora com coleguinhas de classe, amigos nacionais e internacionais, alunos, professores, ídolos, família, namorado e uma infinidade de pessoas que não conheço, que sem querer acham meu blog, meu perfil no Facebook, no Skoob, no Twitter, sei lá!

Sim, tenho poder em minhas mãos. O poder da comunicação, o poder da informação. A sensação de poder encontrar muita coisa de forma fácil me fascina, mas também me perde. O grande desafio atual é conseguir me concentrar e fugir da tentação de ficar caçando atualizações no Face e caixa de e-mails, posts interessantes e livros que desejo, notícias sobre Harry Potter e sagas de Rick Riordan.

A tarefa é árdua, porém sei que encontrarei uma solução!

#adaptaçãomodeon