Twitter: evolução ou destruição do Português?

As críticas são pesadas e o que mais ouvimos é que o jovem não sabe falar direito, quanto mais escrever. Nos chats, nos blogs e microblogs a linguagem que encontramos é bem diferente da culta existente em livros e em revistas específicas.

No entanto, não seria cruel demais dizer que as novas gerações estão destruindo o Português? Porque não pensar que é uma reinvenção da língua, que sempre, sempre, sempre, ocorreu, ocorre e ocorrerá.

Não podemos pensar que nunca se conseguiu comunicar-se tão sucintamente?

No texto abaixo, publicado no jornal Valor Econômico no dia 16 de agosto de 2013, uma visão mais simpática com relação ao amor que o brasileiro tem pelo Twitter.

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A tradição do Twitter no Brasil

Por Miguel Sanches Neto | Para o Valor

Lançado nos Estados Unidos em 15 de julho de 2006, o microblog Twitter talvez seja a melhor tradução da linguagem em tempos de internet, tendo logo se tornado tanto uma ferramenta de comunicação (para fins comerciais ou privados) quanto um espaço de produção literária. Neste segundo campo, ele tem, no entanto, uma tradição centenária. No Brasil, o primeiro tuiteiro literário foi, sem dúvida, Machado de Assis, um escritor marcado por estruturas narrativas fragmentadas, em que a frase avulta com independência.

Seu clássico “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, que circulou como folhetim em 1880, é composto por vários tipos de textos, como algumas máximas que traduzem de forma perfeita o Twitter literário. Escreve o sarcástico narrador no capítulo “Parênteses”: “Antes cair das nuvens que de um terceiro andar”.

A inteligência irônica do narrador se organiza em uma sentença lapidar. Temos aqui uma definição desse gênero, que exige uma construção poética e um olhar crítico. Machado sabia como poucos se valer desses recursos, tanto que esse seu romance se apropria de uma linguagem estilhaçada, com sistemáticas interrupções à narrativa, num ziguezague que lembra o que se tornaria depois o estilo do Twitter. Esse talvez seja o nosso primeiro romance – e o melhor – produzido dentro de uma estética do fragmento.

Depois dele, o grande cultor dessa mesma linguagem será Oswald de Andrade, com seus poemas breves e também sardônicos. “Pau Brasil” (1925) traz um conjunto de tuítes, em que a inteligência crítica-humorística se manifesta em uma linguagem breve. Mesmo o texto de introdução ao livro, um manifesto poético (“Falação”), é obtido com frases soltas e altamente irônicas, numa afirmação do poder expressivo das lascas de linguagem, como esta: “A poesia para os poetas. A alegria da ignorância que descobre. Pedr’Álvares”.

Com Oswald, a redução de texto vai se aliar a uma redução do peso linguístico, numa valorização mais oral da linguagem, rebaixada para se contrapor às belas-letras. É um momento magnífico da descoberta do valor literário dos muitos falares em circulação social, como no divertido “O Gramático”: “Os negros discutiam/ que o cavalo sipantou/ mas o que mais sabia/ disse que era/ sipantarrou”.

Essa poesia em tom de conversa, atenta a todos os códigos, vai entronizar um tipo de texto que se encaixaria perfeitamente na estrutura literária do Twitter. Oswald nos limpou de recalques em relação ao poder poético da fala, permitindo a modernização de nosso idioma.

Ainda no período modernista, uma voga literária nasce dessa compreensão oswaldiana da brevidade irônica. Tal manifestação ficou conhecida como poema-piada. Descendo ao chão da linguagem, o poema se deixa confundir com frases espirituosas. A poesia não quer mais o pedestal do texto, mas a conjugação em conversas comuns.

Carlos Drummond de Andrade não foi indiferente ao que seria o Twitter. Em seu poema modernista “Cota Zero” (“Alguma Poesia”, 1930), ele dá um exemplo de sua verve piadística: “Stop./ A vida parou/ ou foi o automóvel?”

Espalhadas nas obras de grandes poetas do período, temos verdadeiras pílulas de linguagem. Tanto em Manuel Bandeira (“Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?/ – O que eu vejo é o beco”) quanto em Mário Quintana ou Murilo Mendes, haverá um culto à brevidade. Este último escreverá todo um livro de frases, “O Discípulo de Emaús” (1945), em que, apesar de uma seriedade filosófica, se manifestam tuítes primorosos, como este, supersintético: “Prefiro a nuvem ao ônibus”. Ou: “Existem cinco elementos: o ar, a terra, a água, o fogo e a pessoa amada”.

Com certeza, esses escritores teriam uma conta no Twitter e usariam tal espaço de forma autoral.

Mas eles são o que poderíamos chamar de precursores nacionais dessa linguagem. Dois autores são os seus inventores. O poeta multimídia Millôr Fernandes, que, desde o início, confundiu frase e poesia, criando os mais belos conjuntos de tuítes da língua portuguesa. A sua latitude literária é dada pela confluência do haicai e da charge, o que confere a seus textos um humor com refinamento de linguagem. São inumeráveis as suas criações, mas cito aqui um de seus haicais: “Esnobar/ é exigir café fervendo/ e deixar esfriar”.

Dos autores citados, apenas Millôr de fato usou o Twitter no fim da vida, mas ele se valia dessa linguagem desde o início.

Outro contemporâneo seu foi inventor do nanoconto – Dalton Trevisan. Desde “Lincha Tarado” (1980), Trevisan vem publicando uma série de haicais que nada mais são do que pequenos relatos. Entre os seus primeiros textos, que ainda guardavam o tamanho de uma página, e os de agora há um abismo que denuncia o trabalho de enxugamento feito pelo autor. A partir de “Meu Querido Assassino” (1983), os haicais vão se tornando mais sintéticos, atingindo o formato de Twitter em “Pão e Sangue” (1988).

Se o haicai só aparece oficialmente em “Lincha Tarado”, já estava presente em algumas passagens de suas ficções, como no conto “O Bêbado de Nossa Senhora”, de “Abismo de Rosas” (1976). Esse relato é composto por numerosos fragmentos mínimos, alguns deles verdadeiros haicais, como: “A chuva sovina conta e reconta suas moedas nas latas do quintal”.

Dessas primeiras manifestações aos dias de hoje, Trevisan criou toda uma gramática literária do Twitter, legando para a cultura brasileira algumas obras-primas nessa modalidade: “Ah, É?” (1994), “234” (1997) e “Pico na Veia” (2002) – é deste último que tiro um texto abaixo: “Esse aí me adora, sim: daqui pra baixo”.

Temos a fala de uma personagem, provavelmente uma mulher, que define o relacionamento amoroso, no qual ela tem valor apenas como corpo. O alto poder de síntese de Trevisan não prejudica a compreensão do drama, e a ironia faz a narrativa pulsar poeticamente.

Como movimento, e não apenas como manifestação na obra de determinados autores, o Twitter aparece na poesia marginal, na produção poética jovem dos anos 1960 e 1970, quando a busca de uma miniloquência e de uma circulação independente permite uma gramática relaxada, descontraída, em que a frase toma o lugar da poesia, a língua oral o lugar da língua erudita e a vida o lugar dos livros. Como um todo, a poesia marginal pode ser vista como a primeira rede social em poesia, pois os textinhos circulavam de mão em mão, em livros xerocados e pequenos fanzines, ou eram declamados em bares e outros lugares, sem passar pelas editoras e pelos grandes jornais.

Nesse período, a poesia afastou-se do poema para ser, por exemplo, frases pichadas nas paredes durante a ditadura, o que dava ao ato de pichar uma significação de contralinguagem. Paulo Leminski, ícone dessa geração, vai ser autor de algumas dessas frases, como a antológica: “Minha classe gosta, logo é uma bosta”.

Assim, quando o Twitter foi inventado, já tínhamos uma prática centenária de linguagem fragmentada, irônica, inteligente e desabusada, vinculada à oralidade e ao povo. Daí o grande sucesso do microblog entre nós, por permitir que conjugássemos coletivamente toda uma tradição.

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Miguel Sanches Neto é ficcionista, autor, entre outros, dos romances “Chove Sobre Minha Infância”, “Um Amor Anarquista”, “A Primeira Mulher” e “A Máquina de Madeira”. Seu endereço no Twitter é @miguelsanchesnt

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Link para a matéria reproduzida no Observatório da Imprensa: A Tradição do Twitter no Brasil.

Ufa! Agora sim…

Meus deuses! Que sufoco!

Estou passando por um mês inédito (como todos, mas esse está mais inédito), cheio de eventos sobre produção de conteúdo e comportamento na Web, eventos sobre ensino de idiomas, artigos científicos, paper, relatórios e planejamentos de atividades, inscrição em congresso, leituras e mais leituras complexas sobre comunicação, tecnologia, cultura, festival do Japão, aulas de espanhol e sei lá mais o quê. Devo estar esquecendo algo, com certeza.

E enquanto não passei aqui para soltar essas palavritas aqui, não sosseguei. Engraçado como escrevemos o dia inteiro no Facebook, no WhatsApp, no Twitter, em fichamentos de leituras e projetos, e a necessidade de escrever só aumenta e continua buzzando (fazendo um buzz constante) na cabeça.

É como se tivesse mini Paulinhas por perto sussurrando: Você é jornalista, você tem que escrever algo interessante, você quer ser escritora, você ama seu bloguinho, mesmo ele sendo devezemquandário, você é apaixonada pelas palavras (e já tem dicionários), você tem que escrever, meu! (Sim, as mini Paulinhas falam “meu” porque são super paulistanas como a mini Paula original.)

Então, deixei de resistir e passei aqui apenas para reforçar minha paixão pela escrita e pelas palavras e para indicar o mangá Diário do Futuro – Mirai Nikki, da JBC, para todos.

 

Obs.: Agora estou uns 300g mais leve. =P

O preço de ser quem se escolheu ser

Quando criança, sem ter a noção de “essa profissão ganha mais dinheiro do que essa”, “essa profissão permite ter vida social”, “essa profissão disponibiliza o final de semana para descanso”, queria ser patinadora de supermercado. Achava incrível juntar o que se gosta de fazer com ganhar dinheiro para sobreviver fazendo o que se gosta de fazer.

Fui crescendo (apenas até 1,55 m) e mudando de carreira desejada. Sabia que amava Português, História, Geografia, Educação Física, Educação Artística, Biologia, algumas partes de Química, nada de Matemática e muito menos de Física. Pensei em Marketing, Publicidade, Letras, Artes Plásticas, Arquitetura (coitada de mim), Rádio e TV, Audiovisual, Midialogia e, por último, Jornalismo.

E não é que acertei? Mas infelizmente, junto com o acerto, veio a revelação dos problemas enfrentados pela área, tratada como qualquer coisa, sem importância, sem valor. No entanto, todos querem uma assessoria de imprensa impecável, uma revista com conteúdo legal, um site ótimo para os clientes, um material de divulgação de qualidade, uma comunicação interna incrível, um esquema de comunicação invejável.

E para isso, o que é preciso? Um estagiário que está no primeiro semestre do curso que aceite receber R$ 600, sem vale algum, para trabalhar seis horas fazendo o que um profissional sênior deveria fazer.

“Ah, mas quando eu estiver formado as coisas vão mudar!” Claro que sim! Vão te oferecer R$ 1.000 e te registrar como assistente editorial e dizer que você receberá o incrível aumento de R$ 500 após os três meses de experiência.

Quando finalmente consegue alguém que pague o piso de R$ 3.500, fazem você, querido foca, trabalhar como editor, pauteiro, revisor, fotógrafo, repórter e todas as outras funções que outros deveriam exercer. Você, inclusive, faz o trabalho de seus superiores que ainda te ameaçam se você não der o sangue e trabalhar como se fosse cinco pessoas. Não há mais horário de trabalho, não há dia certo, todos os dias e todos os horários são de trabalho. Acho que meu recorde foi de 26 horas e não me orgulho disso, porque não recebi nada a mais. “Você recebe para isso” e “Qualquer um pode fazer isso” era o que eu mais ouvia. Mas não desisti do meu sonho. Eu escolhi certo, os errados eram os outros aproveitadores e “estragadores” de sonhos e de áreas da comunicação.

A desculpa “temos que cortar custos” é sempre a mais ouvida, normalmente, por aqueles que te escravizam e ganham mais que todo mundo do departamento junto. Como “vingança”, jurei que faria o que eu queria e riria ao lembrar daqueles que me humilharam.

Acertei! Hoje faço o que gosto na área que escolhi. Tem prêmio melhor? Não ganho horrores, mas estudo para ter uma vida tranquila em alguns anos e me sinto feliz todos os dias, tirando aqueles em que hormônios tiram meu poder sobre mim mesma. Agradeço todos os dias por ter escolhido ser eu e não representar um papel e ficar reclamando mais do que reclamo normalmente.

Quando me pergunto como é ser jornalista respondo que é cansativo por ser uma carreira 24 horas, mas é super gratificante, se você realmente faz o que você quer. Escrever uma matéria, um perfil, uma notícia, e ter o retorno dos leitores é emocionante, mesmo que seja crítica. Alguém leu o que você fez. Se foi feito com sua verdade e para o leitor, sinta-se feliz e realizado, sempre buscando dar o seu melhor. Uma hora o reconhecimento financeiro vem e o perrengue mensal será reduzido.

Quando perguntam se devem estudar o que dá dinheiro ou o que querem, respondo que fazer o que se ama da melhor forma possível atrai dinheiro.

Eu estou fazendo o que amo e dando o meu melhor. E já sinto as diferenças a cada passo dado.

Obs.: Obrigada, Camila, de Recortar, Repetir e Elaborar, pela inspiração. Realmente somos “gente de humanas que faz um monte de coisa que não dá dinheiro”.

Conquistas e desafios

Mega difícil fazer um levantamento de 2012, isso porque minha memória é péssima e começo a misturar o que aconteceu em 2012 com o que aconteceu em 2011, 2010, 2000, 1986. Mesmo assim, consigo lembrar coisas muito importantes.

A melhor notícia de todas foi a cura total de meu pai. Sim, o câncer se foi para todo o sempre! Eita, homem forte! E mamãe mostrou ser a pessoa mais companheira e mais forte de todo o universo. Ela é uma heroína! Uau! Sou filha de super-heróis! Uhuuuu…

A irmãzoca agora é gastrônoma e está cozinhando maravilhosamente bem. A Concheta, minha lombriga, agradece!

O namorado agora é pós-graduado e só me enche de orgulho! S2 S2 S2 Agora é convencê-lo a fazer mestrado. Kkkkk…

A saudade apertou em 2012 e a vontade de estar perto de amigos incríveis só aumentou. No entanto, 2013 está aí e é só marcarmos uma data! Kkkkkkkk…

Meu time decepcionou e muito, mas a paixão pelo Palmeiras se mantém a mesma, desde que nasci. Avanti, Palestra!

Um ídolo se aposentou. Chorei junto com ele e percebi que, sim, sou fã de São Marcos, muito fã! Muito mesmo!!!

Famosos queridos partiram desse mundo e fiquei triste, pois, como disse Hebe Camargo, acho que a morte (para algumas pessoas) é uma peninha. O grande número de pessoas que se foram também me assustou bastante.

Entre os queridos que se foram está meu vô Pedro. Só lembranças lindas ficarão! Para cantar para ele, Magal, meu canário da terra, também resolveu nos deixar.

E a família Gomes ganhou mais um membro: Baunilha. Uma pequenina pinscher que chegou para alegrar a família toda!

Dancei mais Gangnam Style do que qualquer outra coisa!

Virei fã do Omelete e do Make1up!

Ganhei um Xbox e estou ficando mais nerd! Kkkkkkkk…

Sinto muita falta de Harry Potter! Muita!

Vi Linkin Park, pela segunda vez em minha cidade, e New Kids On The Block! S2

A carreira como jornalista reservou surpresas e, finalmente, senti-me uma pessoa feliz e livre após meses de trabalho excessivo e pressão. E a certeza de que dei meu melhor, pensando nos leitores e até me deixando de lado, só me faz sorrir. Aprendi a fazer o certo e a não fazer o errado, vi que amizade de verdade não tem tempo ruim e sobrevive a tudo. Garanto que sou uma pessoa bem melhor agora, mas que tem muito caminho para traçar, tem.

Tornei-me professora de inglês e espanhol e tive as primeiras experiências com aquilo que quero para a minha vida toda: ensinar, inspirar, incentivar, despertar. Pesado, mas vou me preparar bem para oferecer o melhor para meus futuros alunos.

Pensando nesse futuro, li mais de 800 páginas em seis dias, fiz projeto com todo carinho e provas com a maior concentração possível. Resultado: sou mestranda! Metodista, aqui vou eu!

Minha pilha de livros cresceu. Gastei horrores na Bienal do Livro e em promoções na internet. A Livraria Cultura pensa que eu trabalho lá! Kkkkkk…

Inúmeros desafios brotaram em minha frente, todos foram aceitos.

Tive várias conquistas e é por isso que estou aqui, salvando energias para 2013, que sugará o melhor de mim!

Estou pronta!

Pode vir, Ano Novo!

Jornalista, periodista, journalist

No colegial, não fazia a mínima ideia do que ia fazer na faculdade. Pensei em Marketing, Publicidade, mas sabia que não era isso, não era esse o caminho. Então, um belo dia, todos do 3º E da ETE Lauro Gomes foram visitar a Faculdade Metodista. Sim, eu estudava em São Bernardo do Campo e foi uma experiência incrível ter que viajar para outra cidade todos os dias, durante três anos seguidos.

Lá conhecemos os laboratórios de Rádio e TV, “brincamos” com tudo que podíamos, e assim descobri que queria fazer isso da vida: trabalhar com palavras, imagens, sons, papel, televisão, rádio. Esse era o meu futuro!

Primeiro ano de cursinho, 18 anos, vida insana de descobertas etc. Resumo: os estudos não foram bons o suficiente, a cabeça não estava concentrada em apenas uma coisa. Aprendi bastante, mas não dava para entrar em Audiovisual na USP; tentei Letras, fiquei por umas 20 pessoas. OK! Trabalhava como recepcionista, mas não daria para pagar nem metade da mensalidade do curso de Rádio e TV da Cásper Líbero (eu passei).

O jeito foi investir em mais um ano de cursinho, mas dessa vez me dedicar plenamente a eles. Passava quase 24 horas por dia no Objetivo Santo Amaro (Marcela e Priscila, minhas lindas, obrigada por me fazerem companhia sempre). E foi o que fiz, mas não deu de novo. Não era nerd o suficiente e minha relação com Exatas não me ajudava. Entendia Física, Química, Matemática, mas na hora do vamos ver, what the fuck is this?!

Resultados finais:

Audiovisual na USP. Nota de corte: 68. Nota do ser humano aqui: 64. Nem cheguei a me divertir na segunda fase, muito menos a me aventurar na prova específica.

Rádio e TV na Metodista: Passei! Yes! Mas não tinha dinheiro (estava desempregada). Acho que nunca chorei tanto de desespero. Pensei que teria que fazer mais um ano de cursinho. O pior era que nem Medicina eu queria, era só algum curso de Humanas, merda!

ProUni: Jornalismo na PUC-SP. Nota no Enem: 90,05. Resultado: Consegui! Entrei! Por que Jornalismo e por que PUC? Sei lá! Um professor sempre falava desse curso e dessa faculdade, então a escolhi no ProUni. Nice!

Não via muita diferença entre Rádio e TV e Jornalismo. Ambos me levariam ao fantástico mundo dos documentários, porém as coisas não foram bem como eu esperava. Queria um mundo diferente e maravilhoso na faculdade e nada mudou, parecia extensão do colegial. Além disso tudo começou com greve, panelaço, apitaço, passeata e essas coisas. Crise imensa e eterna na PUC.

Estava com 20 anos, buscando conhecimento e tentando produzir conhecimento e a sala não ajudava, eu não me ajudava, nada ajudava, muito menos a estrutura da universidade. Minhas expectativas foram destruídas. Tirei força de sei lá onde e corri atrás (só um pouqinho). Alguns professores ainda lutavam por algum movimento de criação e não apenas preparação para o mercado. Fui na primeira opção. (Olha, acho que por isso não tenho emprego agora! Achei o motivo! Rá!)

Nos dois primeiros anos, escrevia cerca de duas matérias por edição do Contraponto, jornal laboratório da PUC-SP. No segundo ano, fiz iniciação científica com o tema Novo Jornalismo no Brasil. Experiência ótima. Aprendi muito, muito mesmo. No terceiro, resolvi trabalhar. Comecei na assessoria de imprensa do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e, cerca de oito meses depois, fui para a parte de Publicações da Fundação Osesp. Experiências únicas e maravilhosas. De um lado terceiro setor e do outro música clássica, mias coisas para aprender. No quarto ano, pari um filho: meu trabalho de conclusão de curso sobre Restaurantes Antigos de São Paulo, o meu querido livro chamado Menu. Um fofo, a coisa mais linda. Depositei fichas nele, mas tadinho, ele sozinho não abriria portas para mim.

Agora estou aqui, em casa, caçando um emprego desesperadamente e cheia de amor e dedicação para dar, ansiosa por novas experiências, para aprender mais e mais. Assim é minha vida desde meus 14 anos de idade e parar de repente, por mais cansada que estivesse, foi um choque imenso. Não nasci para ficar plaatada em casa.

Preciso pesquisar, estudar, aprender novas línguas, fazer curtas-metragens, documentários, escrever livros, matérias, resenhas, fazer revisão de texto, transcrições, ser jornalista, me sentir jornalista e ser útil para a sociedade fazendo e sendo o que eu sei de melhor.

Hoje é meu primeiro Dia do Jornalista (de acordo com a Wikipédia, é dia do jornalista por causa da fundação da Associação Brasileira de Imprensa – ABI) e não consigo comemorar de forma apropriada, porém sinto que eu não seria diferente.

Não digo ter orgulho, não defendo a profissão com unhas e dentes, mas posso me rotular assim: JORNALISTA.

Só posso garantir que ainda verão muito meu nome por aí. É uma questão de tempo e penso assim para não enlouquecer. Farei trabalhos lindos!

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OBS: Post escrito tendo como trilha sonora músicas sugeridas pelo grande The Sixty One.

Tsunami de e-mails

Revoltas, tetativa de organização de manifestação, uso de todo o vocabulário de palavrões, promessas de assassinato (no calor do momento. – Polícia, isso não é verdade, não tô sabendo de ninguém que queira realmente realizar esse ato terrível! É apenas força de expressão! Espero!), descabelamento coletivo, ódio mortal.

Tudo isso porque houve diferenças entre informações recebidas de um professor por uma parte e por outra da sala. Para uns ele havia dito que deveríamos postar em seu blog (O Mundo de Prometeu) dois magníficos textos, para outros afirmou que o número correto de textos era três. Isso ocorreu porque essas super informações mais do que importantes eram passadas normalmente 15 ou 30 minutos após o término da aula, quando apenas cerca de cinco pessoas permaneciam na sala de aula sei lá por qual razão. Ponto negativo para o senhor, professor! Mancada imensa! Se a meta é ferrar todo mundo porque boa parte da turma ou todos não lêem os textos ou qualquer outro motivo, isso deveria ser dito antes, creio! Aprendi nessa vida que diálogo é muito importante!

Esse fato trágico finalizou nossa semana com chave de merda, se assim posso dizer, e lotou nossas caixas de e-mail em questão de pouquíssimos minutos. Detalhe: isso ainda não teve fim! Continuamos nos mandando várias coisas. Meu último e-mail dizia o seguinte:

Urbano – Minha saída simples
 
Querida turma de formandos desesperados (como eu),
 
Depois de tanta confusão, resolvi fazer um curso super intensivo de economia que começa agora, às 22h, e vai até segunda-feira, às 24h. Detalhe: sem interrupção, só paradas estratégicas para respirar profundamente, não dormirei, não comerei, pois haverá agulhas diretamente ligadas ao meu corpo tanto para colocar alimento e retirar o que não presta mais (tudo o que não presta, inclusive pensamentos negativos).
 
Para fazer o que ainda devo para a faculdade, como o perfil do Sérgio e alguma coisa especial com relação ao TCC para o Cripa ver, comprei uma ampulheta semelhante a da Hermione, de Harry Potter (oi, Harry!), assim poderei me multiplicar em duas ou três (uma para descansar e outra para fazer outras coisas importantes para mim, tipo Zine Qua Non – sim, ele ainda existe!).
 
Na terça-feira, criarei mais um blog (o quinto ativo) exclusivo e super completo sobre A ECONOMIA MUNDIAL (escutem nesse momento a voz de Cid Moreira). Inclusive já agendei minha entrevista com Zeca Camargo e a Poeta. Não percam, domingo que vem, Paula Cabral no FANTÁSTICO (olha o Cid de novo!). Na quarta vou ao programa do Ronnie Von, Todo Seu, na Gazeta às 22h. A Sônia Abrão me chamou, mas como eu a odeio, recusei. O José Padilha também fará um documentário sobre essa experiência fantástica. Minha vida nunca mais será a mesma!
 
Boa noite
 
Beijocas imensas para todos
 
Paulinha
 
OBS: Se alguém quiser fazer o mesmo, pode falar comigo. Há mais vagas para essa experiência.
  
OBS2: Sucesso garantido!!! Com ou sem diploma!

A turma desesperada e com a mínima vontade de não passar de ano e não se formar em 2009 começou a se comunicar e alguns membros bondosos resolveram se comunicar com o professor.

Sim, deveríamos fazer três textos. Ah, não! Assim não dá! Só não xinguei minha mãe porque, afinal de contas, ela é a minha mãe! Mas todo o restante do mundo entrou na dança e uma parte dos moradores de São Paulo teve que conviver com meu mau humor terrível.

Resultado: final de sábado gasto escrevendo mais um texto sobre crise, capitalismo, países desenvolvidos, subdesenvolvidos, soluções inexistentes para todos os males que assolam a face da Terra e ponto. Resolvi não me arriscar! Quero terminar esse curso sem falta! O problema é que atrasou, mais uma vez, meu tcc.

Moral da história: Haja paciência e saco!

 

OBS: O e-mail é extremamente fictício!

Notícia fictícia

Hoje, na aula de Gêneros, tivemos que ver uma foto (um senhor com um terno branco e uma gravata preta, sentado em frente a um armário ou biombo de madeira escura todo rebuscado e a cabeça de um cavalo branco atrás) e criar uma notícia com mais ou menos 1500 toques com espaço.

O resultado foi esse:

“O inacreditável aconteceu”

Corpo do maior comunicador do país será velado até hoje em São Paulo

 Desde ontem, a partir das 7 horas da manhã, o corpo do considerado o maior comunicador da televisão brasileira, Tibúrcio Frederico Cardoso Schneider, está sendo velado no Ginásio do Ibirapuera. Estima-se que já passaram pelo local cerca de 200 mil pessoas.

O apresentador, que estava internado no Hospital Albert Einstein desde o dia 2 do mês passado, faleceu, aos 102 anos de idade, antes de ontem, às 23h13, devido a complicações após cirurgias feitas em várias partes de seu corpo.

Schneider, apaixonado por cavalos, fazia seu passeio diário em seu sítio no interior do Acre com seu pangaré Torrão, quando esse se assustou com a aproximação repentina de um paparazzi e derrubou o comunicador e o pisoteou.

O socorro demorou a chegar por causa da inacessibilidade ao local em que morava, e, além disso, o apresentador teve que ser transferido para São Paulo.

A população, ainda incrédula, está aos prantos do lado de fora do ginásio, fazendo homenagens. A comoção foi tamanha que os mais fanáticos carregam em suas mãos a foto mais divulgada de Schneider, na qual seu pangaré branco aparece ao fundo. “O inacreditável aconteceu”, diz Cleide, que veio do Piauí ver pela última vez seu maior ídolo.

A polícia, que garante a organização do velório, pede para que as pessoas não levem mais objetos para deixar no local, pois a enorme quantidade de velas e flores atrapalham o acesso às ruas próximas ao ginásio.

Todos acreditam que a culpa não foi do cavalo, mas sim do paparazzi, o qual está desaparecido e a polícia busca incessantemente. Ele será condenado por homicídio culposo.

 

OBS: Comecei falando do Silvio Santos porque ainda não havia recebido a foto, mas depois adaptei o texto e ficou melhor ainda. Pude colocar Acre, Piauí, paparazzi, uma loucura só. O verdadeiro jornalismo é esse, o da imaginação! Hahahahahaha…

OBS2: Puta sono dos infernos, como sempre!