A cama, o relógio e o smartphone

3 horas da manhã.

Escovo os dentes, coloco o pijama, arrumo a cama, pego a cachorra e me deito. Um livro ou uma revista sempre vai junto para a cama, com a luz de cabeceira acesa. Luz amarelinha que dá um soninho bom. Ou serão as letrinhas miudinhas as culpadas pelo sono ligeiro que surge ao me deitar?

Desisto de ler. Resolvo programar o celular para despertar. São cinco alarmes, com diferença de dois, três ou cinco minutos entre eles. Por que esses intervalos bizarros? Vou lá saber eu?!

Por dois segundos penso que demorarei um século para dormir, mas minutos depois, acordo no dia seguinte com o celular embaixo de mim. Minutos depois? Nada, já chegou o dia “seguinte”. Preciso deixar claro que considero dia seguinte porque o dia muda apenas depois que dormimos.

Alarme 1: não ouço.

Alarme 2: não ouço.

Alarme 3: um barulho estranho entra no sonho.

Alarme 4: dormindo, desligo o alarme.

Alarme 5: toca, acordo de leve, desligo.

Todos juntos: afffff… que zona nesse quarto. (Minha mãe ouve e grita para eu desligar essa porcaria.)

Rádio relógio: rock legal, música boa… uhuuuuu…

Duas horas depois, acordo brava porque não consegui acordar, mesmo tendo uma orquestra de tudo quanto é tipo de instrumento no quarto, em cima da minha cama.

Pego o smartphone, vejo que dormi digitando uma mensagem, que tenho dezenas de notificações do Facebook e de e-mails com promoções, respondo mensagens do WhatsApp e decido tomar café.

Parece que fiz milhares de coisas, mas foi apenas mais uma noite estranhamente dormida.

 

Anúncios

Ufa! Agora sim…

Meus deuses! Que sufoco!

Estou passando por um mês inédito (como todos, mas esse está mais inédito), cheio de eventos sobre produção de conteúdo e comportamento na Web, eventos sobre ensino de idiomas, artigos científicos, paper, relatórios e planejamentos de atividades, inscrição em congresso, leituras e mais leituras complexas sobre comunicação, tecnologia, cultura, festival do Japão, aulas de espanhol e sei lá mais o quê. Devo estar esquecendo algo, com certeza.

E enquanto não passei aqui para soltar essas palavritas aqui, não sosseguei. Engraçado como escrevemos o dia inteiro no Facebook, no WhatsApp, no Twitter, em fichamentos de leituras e projetos, e a necessidade de escrever só aumenta e continua buzzando (fazendo um buzz constante) na cabeça.

É como se tivesse mini Paulinhas por perto sussurrando: Você é jornalista, você tem que escrever algo interessante, você quer ser escritora, você ama seu bloguinho, mesmo ele sendo devezemquandário, você é apaixonada pelas palavras (e já tem dicionários), você tem que escrever, meu! (Sim, as mini Paulinhas falam “meu” porque são super paulistanas como a mini Paula original.)

Então, deixei de resistir e passei aqui apenas para reforçar minha paixão pela escrita e pelas palavras e para indicar o mangá Diário do Futuro – Mirai Nikki, da JBC, para todos.

 

Obs.: Agora estou uns 300g mais leve. =P

O desânimo do desentendimento

O Mestrado nos traz surpresas boas e péssimas. Não queria ser tão maniqueísta assim, mas é verdade, pelo menos nesse momento.

Uma colega (muito boazinha e dedicada) e eu resolvemos aceitar um baita desafio e ler A Invenção do Cotidiano – Artes de Fazer, de Michel de Certeau. No começo, ter os neurônimos provocados foi super estimulante, começamos a pirar a cada parágrafo, discutir loucamente sobre as ideias inovadoras de Certeau.

No entanto, o que poderia ser lindo até a última linha, virou um baita de um pesadelo e colocou em xeque a felicidade de uma mestranda que lê, lê e lê e entende as coisas bem. Pode até ter dúvidas, mas no fim acaba entendendo, depois de ler umas três vezes.

Esse Certeau me deu a certeza de que não tenho a capacidade de compreender textos complexos e de que não conseguirei fazer um bom percurso no Mestrado por ser uma pessoa mediana e que não compreende as coisas.

Deuses, o que que é isso?

No desespero, fui lendo e pulando os trechos que não faziam sentido algum, ou seja, capítulos e mais capítulos, e tentei pegar a essência das coisas. E quem é que disse que encontrava essa essência?

Bom… É isso aí? Estou morrendo de medo da apresentação de segunda-feira. É isso mesmo! Não bastasse ler o ininteligível, teremos que apresentar para uma sala cheia de mestres, futuros doutores e um professor que tem pós-doc.

É… Um momento sem juízo causando tantos problemas.

Que possamos colher bons frutos compreensíveis!

 

O nascimento de um leitor

Como nasce um leitor?

Após ler alguns textos inspiradores na internet (confira aqui, aqui e aqui), comecei a pensar como incentivar crianças, adolescentes e adultos a lerem. Difícil, não?! Tenho três casos em casa e obtive sucesso apenas em um: com minha irmã.

Assim como aconteceu comigo, aconteceu com ela. Comecei a ler de forma ininterrupta (com pausas apenas devido a grandes exigências por parte do trabalho e da pós) após ler Harry Potter e tudo o que era ligado à saga. Quando me via sem o próximo livro lançado por J. K. Rowling, corria para outras leituras que iam da literatura fantástica a livros de não-ficção, cabeçudos e teóricos.

Esse novo costume me transformou em uma devoradora de livros no primeiro ano da faculdade, o que me fez ler, praticamente, todos os livros-reportagem referência em pouco tempo. Ou seja, o interesse me fez ler em pé em ônibus e metrô lotados, andando para casa, pontos de ônibus e para a faculdade… Grandes autores me fizeram perder a estação e o ponto certos, me fizeram sentar no jardim do prédio onde moro por mais de 20 minutos para acabar um capítulo antes de entrar em casa, almoçar e jantar lendo (mesmo indo contra indicações médicas que afirmam que ler enquanto come faz mal para a vista).

Junto com a nova mania de Paula Cabral, veio a hipermetropia e o uso de óculos, o que deu um toque mais nerd ainda a essa leitora voraz de capas coloridas, palavras negras em folhas brancas e cor de pólen, autores famosos e desconhecidos. O que caia na mão era lido, assim como são todas as placas do comércio e disponíveis por aí. Talvez venha daí o cansaço mental constante. Meus olhos buscam incessantemente por sentido nas letras espalhadas pela cidade. Não para de jeito algum!

Voltando aos meus outros dois casos familiares, papai tornou-se um grande católico e leitor de tudo o que é religioso. Leituras difíceis e que exigem repetição. Já mamãe, não teve jeito. Não há Cristo que a faça ler uma obra de Machado de Assis, por exemplo. Apenas Ágape, do Padre Marcelo Rossi. E tenho como criticar? Claro que não! Toda leitura é super bem-vinda… É leituraaaaaaaaaaa… Todo e qualquer livro sobre qualquer tema pode ser o pontapé inicial fundamental para o surgimento de um novo leitor.

Dessa forma, jogando os preconceitos para debaixo do tapete, leiam e leiam… Escolham os autores preferidos, os temas mais estimulantes e mergulhem de cabeça nesse mundo maravilhoso das palavras.

É uma viagem sem volta, um vício maravilhoso.

.

.

Obs.: Gastei mais de R$ 400 na Bienal do Livro e fiquei rindo por dias seguidos… XD

Um novo mundo

Emprego novo, pessoas novas e o inevitável aconteceu: novas histórias e troca de informações!

Primeiro foi com a grande artista Elen Gruber e agora com o responsável pela parte de Telecom da empresa, Daniel Neves. Ele adora quadrinhos e fez o favor de dividir o que tem e sabe com essa humilde e inquieta jornalista.

Ele me emprestou Persépolis e Frango com Ameixa, de Marjane Satrapi; Calvin e Haroldo (Criaturas bizarras de outro planeta), de Bill Watterson; e Os leões de Bagdá, de Brian K. Vaughan e Niko Henrichon.

Pronto! Mais um vício foi adquirido!

Daí ele vai e me passa um site que me encantou de cara. É O Diário de Virgínia!

.

.

Além de ter amado os traços de Cátia Ana, identifiquei-me bastante com a história da Virgínia. O medo sempre domina e é uma luta constante para afastá-lo nem que seja por algum tempo. Nem vou entrar em detalhes não! Tem que entrar no site e ler tudo com carinho!

.

Mas essa empolgação com os quadrinhos não vem de agora, já conhecia alguns trabalhos por meio da Revista Café Espacial. É só entrar em contato com eles e pedir seus exemplares, que não são caros e você recebe em casa. XD

Ela está na sétima edição! São trabalhos de várias pessoas reunidos no mesmo lugar! Diversão e reflexão garantida!

.

Também tem o Quadrinhos Gonzo com suas críticas ao Jornalismo.

Qual jornalista não adora reclamar de suas condições de trabalho, de suas urubuzices crônicas, do sangue frio e matérias bostas que tem que fazer? Com crítica em quadrinhos é mais legal!

.

Bom, fico por aqui e deixo o link para o Depósito do Calvin para você se divertir loucamente por horas e horas e horas…

.

Beijo imenso e mande dicas para mim, por favor.

.

.

.

OBS: Mais um vício? Mais um vício? Cara! O ser humano nasceu para ter vícios, é isso?

Adooooooro!