Férias? Já tinha esquecido o que era isso!

Quando decidi fazer mestrado, sabia que o percurso não seria fácil e que eu pensaria no tema de pesquisa 24 horas por dia, 7 dias por semana, 4 semanas (ou mais) por mês, 12 meses por ano, dois anos e mais alguns meses. O processo foi duro e não tive férias. Aliás, férias era algo que eu não tinha tirado de verdade antes de ingressar na pós-graduação. Fui de um emprego para outro, adaptando-me às novas condições e com a mente sempre atenta.

Agora, aqui estou com tempo para fazer o que eu quiser. Leio mangas, vejo televisão, durmo quando quiser, acordo quando quiser, minha pálpebra esquerda parou de tremer, passeio por aí, treino Kung Fu, respiro, como devagar, como pra caramba, relaxo. Quem estava pensando que eu viajaria para o Japão e ficaria por lá um mês se enganou. Não há tempo (verba) para isso ainda.

E, como se não bastasse ter tempo para fazer tudo, minha sensação é de que não tenho tempo para fazer nada e que o dia passa mega rápido. Além disso, minha cabeça já está se movimentando e pensando no semestre que se aproxima. Querendo ou não o “ganhar dinheiro” e “o país tá daquele jeito” me perseguem.

O que fazer? Estudar, pesquisar e rezar para uma ideia brilhante surja e que deixe a vida mais brilhante e tranquila.

Com força, fé e café, sigo em frente!

Minha própria estação

No psicólogo gratuito, também conhecido como Facebook, se é verão, deveria ser inverno, se é inverno, deveria ser verão, se é primavera, tem flor demais no mundo, se é outono, as folhas que caem dão muito trabalho para limpar.

A insatisfação crônica do ser humano agora é visível (até demais) e nada está bom quando não se está viajando, no café com os amigos, num restaurante com @ namorad@. Todo e qualquer momento de solidão ou tédio, vira um post reclamão.

Após começar a estudar comportamento e conteúdo na internet e minha postura na rede, percebi que reclamar não é normalmente, na internet então, enche os pacovas. Então passei a me controlar drasticamente. (Na verdade o namorado deu uns toques internéticos e rede socialíticos legais.)

Então, tenho minha própria estação. Ela é uma mistura de primavera com outono, pois adoro aquele tantão de flores com aquele monte de folhas caídas e caindo. E tem o sol gostosinho, que aquece, mas não me faz passar mal. E tem aquela brisa que arrepia e alivia o estresse diário. Afinal, ventinho no rosto é bom demais.

Na minha estação tem gente leve e criativa, doida e tagarela, feliz e serelepe. Quando as coisas ficam inverno ou verão, corro para a minha estação, coloco meu vestido leve e colorido e tudo melhora aos poucos.

Papo de maluco?

Não há nada melhor do que partir para o meu jardim secreto e lá encontrar as respostas para o fim das angústias. É lá que fica meu lindo escritório de madeira clara e janelas grandes, para entrar muita luz e clarear minha mesa lindíssima, organizada, com papéis e canetas e lápis e tudo que amo desse ramo da papelaria.

Minhas estantes de livros são praticamente infinitas, estão repletas de coisas boas (só tem vampir@s ponta firme e brux@s de primeira), tudo, mas tudo de que preciso.

Na minha estação tem uma tranquilidade verdadeira, com erros aceitos e soluções de montão. O desespero é compreendido, mas tem cura. Agir é a palavra de ordem.

Mas pode ficar desanimado e com siricutico? Pode, mas tem que ser por pouco tempo e tem que conversar com amigos para encontrar o remédio ideal.

Na minha estação tem a temperatura exata, aquela ditada pelo coração e pela mente. Ou seja, a correta para cada momento. A temperatura de minhas cores, formas e inspirações.

Seja livre para criar sua estação!

O desânimo do desentendimento

O Mestrado nos traz surpresas boas e péssimas. Não queria ser tão maniqueísta assim, mas é verdade, pelo menos nesse momento.

Uma colega (muito boazinha e dedicada) e eu resolvemos aceitar um baita desafio e ler A Invenção do Cotidiano – Artes de Fazer, de Michel de Certeau. No começo, ter os neurônimos provocados foi super estimulante, começamos a pirar a cada parágrafo, discutir loucamente sobre as ideias inovadoras de Certeau.

No entanto, o que poderia ser lindo até a última linha, virou um baita de um pesadelo e colocou em xeque a felicidade de uma mestranda que lê, lê e lê e entende as coisas bem. Pode até ter dúvidas, mas no fim acaba entendendo, depois de ler umas três vezes.

Esse Certeau me deu a certeza de que não tenho a capacidade de compreender textos complexos e de que não conseguirei fazer um bom percurso no Mestrado por ser uma pessoa mediana e que não compreende as coisas.

Deuses, o que que é isso?

No desespero, fui lendo e pulando os trechos que não faziam sentido algum, ou seja, capítulos e mais capítulos, e tentei pegar a essência das coisas. E quem é que disse que encontrava essa essência?

Bom… É isso aí? Estou morrendo de medo da apresentação de segunda-feira. É isso mesmo! Não bastasse ler o ininteligível, teremos que apresentar para uma sala cheia de mestres, futuros doutores e um professor que tem pós-doc.

É… Um momento sem juízo causando tantos problemas.

Que possamos colher bons frutos compreensíveis!

 

A importância das palavras e ações

Excesso ou falta. Com jeitinho ou de forma desastrada. Programado ou de repente.
Lidar com palavras e ações não é tarefa simples. São necessários diversos anos para que alguém consiga dar conta de que nuances e mais nuances existem e que cada momento exige uma forma diferenciada de utilização de palavras e realização de ações.
Confesso que sou uma grande desastrada e ainda tenho muito que aprender, porém, pelo menos, já dei conta da existência dessa, digamos, delicadeza.
Conheço alguns que lidam perfeitamente com diferentes situações e outros que esqueceram de passar na fila do bom senso.
Reuniões de família são uma maravilha para análise dessas diferenças de comportamento e noção de vida em sociedade, apoio ao parente e crítica sem moderação.
Faça essa observação para crescimento pessoal. Hehehe…

24 horas online

Sou da geração Y, mas não nasci plugada. Gastava toda a minha energia em brincadeiras pela escola, pela casa dos meus avós e pelo condomínio em que moro até hoje. Corria, pulava, ralava o joelho. Era um moleque e tanto, porém não deixava de lado os estudos e enfiava a cara nos livros para sempre ficar entre aqueles que tiravam as melhores notas. O que meus pais mais ouviam nas reuniões era: “Ela é uma ótima aula, mas fala um pouco demais”. Um pouco era apenas para suavizar. Eu falava para caramba, já dando dicas com relação à área que escolheria para seguir carreira.

Minha bateria era recarregada com leite e achocolatado, bolinho de chuva, pão com margarina e bolacha recheada, além de muitos legumes e verduras. Enquanto descansava, via Glub Glub, Rá-Tim-Bum, Castelo Rá-Tim-Bum, Tin Tin, Doug, Babar e outras coisas fofas.

O contato com a modernidade começou com uns 11 ou 12 anos, quando aprendíamos a mexer no DOS na escola. Era dir, dir, dir, toda aula. Com uns 14, 15 anos, chegou um computador em casa. Esperava dar meia-noite para entrar na internet e só saía às 5 ou 6h da manhã. Era para usar apenas um pulso ou algo do tipo.

Aos poucos os celulares foram chegando em casa. Primeiro meu pai comprou o dele, por ser taxista e facilitar arranjar corridas. Depois eu ganhei um peg e fale gol do Palmeiras porque ia estudar em São Bernardo e ficava lá o dia inteirinho. Em pouco tempo, todos tínhamos um bichinho barulhento e vibrantes nas bolsas.

A moda era ter celular miudinho e fofinho que fizesse ligações e enviasse mensagens, porém era apenas para casos de emergência, pois era tudo caro (não que seja barato agora).

A tecnologia mudava a cada mês e fui ficando para trás. Se eu achava ruim? Nada! Batia no peito e falava que celular para mim era apenas para ligações e mensagens, que não precisava tirar foto, entrar na internet, bluetooth e blá blá blá. Até brincava que se alguém fosse me assaltar, ficaria com dó e me daria um celular. =D

Aos poucos fui nerdando um pouco e aprendendo a curtir tecnologia e a ver super funcionalidades nela. Virei a rainha dos blogs, das novidades e tinha perfil em tudo quanto é site e rede social. Queria saber como fazer algo em algum lugar? Eu sabia!

Enfim, comecei a trabalhar, “afinal de contas, videogames não caem do céu”. E veio notebook escolhido a dedo, celular maravilhoso comprado no susto, internet melhorzinha e mais ligeira. Pronto! Fui picada pelo bichinho da conectividade. Só não fico online o tempo todo porque não tenho plano de internet no celular e a internet “ilimitada” é mais lenta do que trânsito em horário de pico na avenida Paulista.

Mensagem, e-mail, PDF, Word, diário, Facebook, Twitter, câmera, mp3 (com biografia de cantores e bandas), calendário, despertador, calculadora, Xbox Live, Skype, Foursquare, Pinterest, editores de imagens, mapas, rádios internacionais, dicionários etc. Com tudo isso e mais um pouco, meu celular já me salvou de cada uma.

(Nossa! Está parecendo propaganda, né?! Microsoft, tenho Windows Phone e gosto dele, mesmo tendo quase zero aplicativos comparando com Android!)

Agora aquela menina tagarela continua falando pelos cotovelos, mas agora com coleguinhas de classe, amigos nacionais e internacionais, alunos, professores, ídolos, família, namorado e uma infinidade de pessoas que não conheço, que sem querer acham meu blog, meu perfil no Facebook, no Skoob, no Twitter, sei lá!

Sim, tenho poder em minhas mãos. O poder da comunicação, o poder da informação. A sensação de poder encontrar muita coisa de forma fácil me fascina, mas também me perde. O grande desafio atual é conseguir me concentrar e fugir da tentação de ficar caçando atualizações no Face e caixa de e-mails, posts interessantes e livros que desejo, notícias sobre Harry Potter e sagas de Rick Riordan.

A tarefa é árdua, porém sei que encontrarei uma solução!

#adaptaçãomodeon

O nascimento de um leitor

Como nasce um leitor?

Após ler alguns textos inspiradores na internet (confira aqui, aqui e aqui), comecei a pensar como incentivar crianças, adolescentes e adultos a lerem. Difícil, não?! Tenho três casos em casa e obtive sucesso apenas em um: com minha irmã.

Assim como aconteceu comigo, aconteceu com ela. Comecei a ler de forma ininterrupta (com pausas apenas devido a grandes exigências por parte do trabalho e da pós) após ler Harry Potter e tudo o que era ligado à saga. Quando me via sem o próximo livro lançado por J. K. Rowling, corria para outras leituras que iam da literatura fantástica a livros de não-ficção, cabeçudos e teóricos.

Esse novo costume me transformou em uma devoradora de livros no primeiro ano da faculdade, o que me fez ler, praticamente, todos os livros-reportagem referência em pouco tempo. Ou seja, o interesse me fez ler em pé em ônibus e metrô lotados, andando para casa, pontos de ônibus e para a faculdade… Grandes autores me fizeram perder a estação e o ponto certos, me fizeram sentar no jardim do prédio onde moro por mais de 20 minutos para acabar um capítulo antes de entrar em casa, almoçar e jantar lendo (mesmo indo contra indicações médicas que afirmam que ler enquanto come faz mal para a vista).

Junto com a nova mania de Paula Cabral, veio a hipermetropia e o uso de óculos, o que deu um toque mais nerd ainda a essa leitora voraz de capas coloridas, palavras negras em folhas brancas e cor de pólen, autores famosos e desconhecidos. O que caia na mão era lido, assim como são todas as placas do comércio e disponíveis por aí. Talvez venha daí o cansaço mental constante. Meus olhos buscam incessantemente por sentido nas letras espalhadas pela cidade. Não para de jeito algum!

Voltando aos meus outros dois casos familiares, papai tornou-se um grande católico e leitor de tudo o que é religioso. Leituras difíceis e que exigem repetição. Já mamãe, não teve jeito. Não há Cristo que a faça ler uma obra de Machado de Assis, por exemplo. Apenas Ágape, do Padre Marcelo Rossi. E tenho como criticar? Claro que não! Toda leitura é super bem-vinda… É leituraaaaaaaaaaa… Todo e qualquer livro sobre qualquer tema pode ser o pontapé inicial fundamental para o surgimento de um novo leitor.

Dessa forma, jogando os preconceitos para debaixo do tapete, leiam e leiam… Escolham os autores preferidos, os temas mais estimulantes e mergulhem de cabeça nesse mundo maravilhoso das palavras.

É uma viagem sem volta, um vício maravilhoso.

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Obs.: Gastei mais de R$ 400 na Bienal do Livro e fiquei rindo por dias seguidos… 😄