Admirável Brasil Novo

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Foto: Victor Okada

 

Infelizmente com a correria do dia a dia e com a mente cheia de coisas devido às manifestações e às emoções que cismam em me deixar inquieta, não consegui escrever algo mais profundo, uma análise melhor do que está ocorrendo com todos nós.

Voltando hoje de minha segunda manifestação, com pequena participação, porém de grande emoção, leembrei-me de uma música e comecei a cantar sozinha pelas ruas da Vila Inglesa.

Admirável Gado Novo

Zé Ramalho

Vocês que fazem parte dessa massa,
Que passa nos projetos, do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais, do que receber.
E ter que demonstrar, sua coragem
A margem do que possa aparecer.
E ver que toda essa, engrenagem
Já sente a ferrugem, lhe comer.

Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado, ê
Povo feliz
Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado, ê
Povo feliz

Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal
E correm através da madrugada
A única velhice que chegou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou.

Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado, ê
Povo feliz
Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado, ê
Povo feliz

O povo, foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores, tempos idos
Contemplam essa vida, numa cela
Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo, se acabar
A arca de Noé, o dirigível
Não voam, nem se pode flutuar,
Não voam nem se pode flutuar,
Não voam nem se pode flutuar.

Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado e,
Povo feliz
Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado e,
Povo feliz

Muitas histórias

Três histórias em três idas e/ou voltas do metrô Consolação para a Rua da Consolação e vice-versa.

1ª metrô-rua: Saí da estação e vi uma fila imensa nessa região. Bexigas azuis, adultos, jovens, crianças, homens e mulheres. Não descobri o que era e estava sem saco de perguntar. No HSBC Belas Artes (cinema), fui comprar o ingresso para ver Verônica (como disse que faria), mas desisti, quando vi que no mesmo horário começaria O leitor (depois, maiores detalhes). Resultado: mudança de planos. Ficaria lá até muito, mas muito tarde. Então, resolvi comer algo.

2ª rua-metrô: Voltei procurando alguma coisa gostosa para comer. A fila, imensa ainda. No caminho, vi um monte de gente passando com um milkshake de ovomaltine. Resultado: fui até o Bristol (shopping), achei o Bob’s, gastei R$ 8 e comprei 500 ml + cobertura extra. Delícia! Será que vou engordar? Juro que isso nunca passa pela minha cabeça. Como mesmo e to pouco me importando.

3ª metrô-rua: A fila, igualzinha. Não agüentei e perguntei o que estava acontecendo. Jurava que estavam distribuindo empregos, porque a fila estava enorme. Você não ta entendendo o tamanho da coisa, não é? Tava enorme, enorme. Como se fosse fila para pegar hóstia (isso é com H mesmo?) diretamente da mão do papa ou do Barack Obama. Coisas do tipo, compreende? Resultado: a Metropolitana (rádio) estava dando passaportes para o PlayCenter o dia inteiro. Ou seja, pelo tamanho da fila, que deve ter sido o mesmo o dia todo (e olha que já eram 20h), o povo realmente necessita de diversão e não tem dinheiro para isso. Preços mais baixos, please! O cinema, por exemplo, no Shopping Bourbon custa até R$ 30, por causa daquela sala IMAX, 3D, óculos doidos, conforto e o cara*** à quatro! Eu só vou no HSBC de quarta, pago R$ 4, e no Espaço Unibanco de quinta, pago R$ 2,50.

Essa história não acaba por aqui. Como estava com lombriga e desejo de milkshake de ovomaltine do Bob’s, logo que saí alegre e contente do shopping veio um menininho coma desculpa de estar vendendo chiclete:

“Compra chiclete, tia?”

Eu mal-humorada por saber qual pergunta ele faria logo em seguida a minha resposta: “Não quero, obrigada!”

“Me deixa tomar um pouco?” (claro! Depois você me devolve, tá?)

“Acabei de comprar!”

“Só um golinho?”

Eu: “…” e fui.

Peço desculpas pela maldade, mas eu tinha acabado de comprar, no more Money e ele nunca pediria uma bolacha do meu pacote nem um gole da minha água. E eu não gosto de chiclete.

Descobriu o lado sombrio de Paula, é? Juro que se tivesse um terço do conteúdo, eu dava, porém, estava cheio, cheinho, lotado. Não dá!

Calma! Relaxa! Respira! Vamos lá!

 

OBS: No próximo post… Comentários sobre o filme The Reader de Stephen Daldry com Kate Winslet, Ralf Fiennes e David Kross.

OBS2: Sai do cinema, o mundo estava caindo, molhei meu pé, peguei ônibus lotado, não consegui ver o resultado do jogo do Palmeiras na televisão do boteco, tive que ouvir o jogo do Corinthians e fizeram um gol quando liguei o mp3. É mole ou tá bom?