Outra vez 10

Quando se é criança, acredita-se que a vida adulta será bem diferente, que a independência dos pais e o fato de ser grande (o que é bem relativo quando se trata de mim) são as coisas mais belas desse mundo.
Primeiro, não sou independente de ninguém. Não sei viver sozinha e não nasci para a solidão de qualquer tipo.
Segundo, o ser grande só nos afeta na altura mesmo (no meu caso, nem isso) e no aumento de responsabilidades (apenas para os responsáveis e não encostados), vai?!
Ontem as aulas do mestrado recomeçaram. E quem disse que a ansiedade que estava sentindo era diferente da ansiedade que sentia quando tinha 10 anos?
Canetas coloridas, cadernos fofinhos, régua, branquinho, nervosismo, estavam todos lá, fazendo-me companhia. A maior diferença daqueles tempos, querida década de 1990, para esses (tirando o cabelo que, modéstia à parte está muitíssimo melhor), é que como atividade de férias eu não tenho mais que fazer lições de português e matemática e colorir um desenho. Agora tenho que escrever artigos científicos, papers, fichamentos e projetos.
E essa sensação de que nada mudou tanto assim recai sobre mais e mais momentos. Praticamente todos os dias sinto que sou a mesma que enchia o saco dos meus pais perguntando se já estava na hora de voltar para a escola.
Será que isso é nerdice demais?