Vida de Mestranda: A incrível paz desconfortável

A paz que apareceu entre os dias de entrega do Relatório de Qualificação e o dia da Banca de Qualificação me pegou de surpresa.

O que isso significa? Será que deveria estar fazendo outras coisas ao invés de ler coisas que amo, passear, andar de patins, praticar Kung Fu e assistir Naruto?

A culpa do “deveria estar fazendo coisas do mestrado” me assombra 24 horas por dia, não me deixa relaxar completamente, não me deixa…

Pra quem acha que só estudamos, fique sabendo que pesquisar é estar 24 horas antenados procurando material em tudo que nos cerca.

Pequenino desabafo!

Vida de Mestranda: Você e os detalhes que fazem a diferença

Uma das coisas que mais me deixava triste no ano passado era não conseguir um tempinho para cuidar de minhas mãos e dos meus pés do jeito que eu gostaria e gosto. Era tanta coisa junta para fazer que o “considerado de menor urgência”, como cabelos, sobrancelhas e unhas, ficava para depois.

E as “coisas de menor importância”, deixadas para trás, eram as que me davam bem estar, me deixavam feliz por me ver do jeitinho que queria, e eu não havia percebido isso. Só sabia que estava insatisfeita com muitas coisas. As pequenas coisas nem sonhavam em aparecer no planejamento.

Com os afazeres mais organizados em 2014, estou me tornando uma ótima manicure. Hehehehe… E me sinto mais equilibrada.

Então, essa é a dica: Você, estudante, universitário, aluno de cursinho, mestrando e mestranda, doutorando e doutoranda, coloque em seu planejamento um tempinho para você, para fazer as unhas, cortar e pintar os cabelos, fazer as sobrancelhas etc. E também reserve um tempinho, toda semana, para fazer o que mais gosta. Essas “coisas não urgentes” são as que nos mantêm no eixo, em contato com a vida de verdade, com a nossa vida, com nosso eu e seus prazeres.

Vida de Mestranda: Sem forças para comemoração

Não fique triste! Cada texto entregue, cada relatório finalizado, cada artigo enviado traz um certo alívio, porém, você não terá forças para comemorar.

– Ai, Paula! Que horror! – você diz para essa que vos escreve.

Mas é isso mesmo! Toda a energia que um pós-graduando tem vai toda para a criação de parágrafos e escolha de citações, categorização de conteúdos e análise de dados. O finzinho da energia é utilizada na revisão, que já não sai aquela maravilha.

Então, quando você aperta o enviar ou quando entrega o bloco de folhas encadernado, vem o alívio e só. Você volta pra casa pensando “viva”, manda mensagens para familiares, namorado(a) e amigos(as) dizendo “iupie” e só.

Queria mais energia para festejar cada passo bem sucedido.

Vida de Mestranda: Zen… Até demais!

Após um período de crise extenso e pesado, o que me assustou bastante, estou vivendo uma fase zen, mas tão zen que estou ficando assustada. Não quero dizer com isso que virei Madre ou Buda ou Mestre ou Santa ou qualquer título que tenha o esteriótipo de ter o maior controle do universo sobre os próprios sentimentos. No entanto, sinto-me melhor e tranquila, mesmo estando meio ferrada de coisas para fazer.

Ainda não achei todos os fatores responsáveis por isso, mas tentar moldar as coisas possíveis a meu favor ajudou, assim como pensar em mim e no que me faz bem. Mesmo cheia de prazos, já entendi que temos que fazer o que é possível dentro do tempo existente. Nada de ficar choramingando repetindo “poderia ter feito bem melhor”. Só nós sabemos disso e ninguém vai perceber que você não escreveu cada palavra com a sua melhor gota de sangue.

Quando o desbloqueio surge, tem que aproveitar cada segundo, porém tem que respeitar o corpo, coitado. Pode forçar ele além da conta, mas no dia seguinte, descanso, atividades mais leves e mecânicas, ler uma Turma da Mônica, uns capítulos de Haruki Murakami, ver The Big Bang Theory.

E o melhor de tudo, meu corpo pede mais treino agora! Como assim, Paula? Sim, meu povo e minha pova, agora faço Kung Fu de segunda, quarta e sexta. E de terça, quinta, sábado e domingo, meu corpo sente falta do esforço doido que faço nos outros dias. É a sensação mais gostosa que meu corpo poderia me dar e que prova que eu devo me dedicar bastante ao novo desafio. E que desafio lindo! Cada movimento aprendido e devidamente memorizado e executado é uma alegria só. Demorei, mas finalmente pratico uma arte marcial! \o/

E sim, o Mestrado caminha bem! O projeto virou e revirou e agora é outra coisa, mas está mais fofo do que nunca. Sinto que ele ficará lindo e perfeito e que me fará muito feliz. Agora é dar um gás e deixar tudo prontinho para o Exame de Qualificação que se aproxima rapidinho. Já fiz um trechinho, mas o que estou fazendo está me deixando feliz. E assim vou…

Angústia tirou férias… E que não volte tão cedo!

Vida de Mestranda: Ano novo, problema velho

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Virada de ano e a ideia fixa de que as coisas começarão diferentes. Há! Até parece!

As pendências continuam as mesmas, estão se acumulando e não consigo forma de desbloquear minha capacidade de escrever. Uma mestranda que não consegue escrever e que tem um exame de qualificação chegando. O que fazer? Não faço a mínima ideia. As distrações são inúmeras, o calor insuportável tira qualquer concentração (não que ela tenha me visitado ultimamente), o desespero aumenta e a vontade de desaparecer é a cada dia maior.

Só eu posso mudar essa situação, mas não consigo. Minha cabeça parece um quadro de Pollock. Não consigo separar as cores, as bolinhas das linhas, o que é fantástico do que é irrelevante. Palavras e mais palavras juntas, mas que não fazem sentido, ou não querem fazer sentido.

O que mais fazer para finalmente parar de ver o cursor do Word piscando e encontrar meu caminho? Como trocar a angústia pela a alegria da satisfação?

É… Quem disse que seria fácil?

Vida de Mestranda: Semana de/do saco cheio

Quando ouvimos: “Ah, semana que vem é semana do saco cheio! Não precisa ir para a faculdade!”, pessoas normais festejam, fazem planos para relaxar, como ir ao cinema no meio da tarde de uma terça-feira, ir ao shopping comprar um novo All Star, jogar bola e passar o dia inteiro na academia (academia de malhar, não na faculdade quebrando a cabeça sobre textos terríveis e ótimos).

Mestrandos e doutorandos interpretam da seguinte forma a frase animada escrita acima: “Obrigada, universo! Uma semana para tentar adiantar os zilhões de artigos científicos que preciso finalizar sem falta, organizar meus textos espalhados pela casa, começar a escrever o primeiro capítulo da dissertação, ler os 91198387328473284 textos pendentes salvos em minha área de trabalho (para chamarem a minha atenção e não sumirem no limbo do notebook), mandar e-mails para todos os professores tirando dúvidas e pedindo indicações etc. etc. etc.

E o que é que acontece? Você fica doente, sem forças, com dor de cabeça 24 horas (ao estilo Paulo da Pamonha – se não sabe o que é isso clique aqui), tem altas crises de existência, criatividade travada, não consegue ler um parágrafo sequer sem tem um siricutico nervoso, rói todos os cantinhos do dedo que sangram no fim do dia, cutuca a cabeça e a testa até sentir muita dor quando for tomar banho, almoça às 17h e janta às 2h, toma banho quando passa no banheiro para fazer xixi (a única vez do dia inteiro) e tropeça caindo dentro do box, bebe água se alguém esquece uma garrafa ao seu lado, come bala como se fosse oxigênio para as funções vitais do corpo (o novo vício são balas de gengibre com diversos acompanhamentos) etc. etc. etc.

Pois é, desespero-me e dou risada com essa fauna bizarra à qual faço (escrevi “fasso” antes de arrumar) parte. Hahahahahaha…